CAC e LTV: as duas métricas que podem salvar (ou afundar) seu negócio

Descubra como CAC e LTV determinam a lucratividade do seu negócio. Se CAC > LTV, você está queimando caixa sem perceber.

CAC e LTV: as duas métricas que podem salvar (ou afundar) seu negócio

Introdução – o risco invisível no crescimento acelerado

Imagine uma startup que comemora a cada cliente conquistado. O time de vendas bate meta, o marketing mostra gráficos ascendentes e os investidores enxergam tração. Mas, nos bastidores, a empresa está queimando caixa em ritmo acelerado. O motivo? Ninguém está olhando para o equilíbrio entre duas métricas vitais: CAC e LTV.

O alerta é simples: se o CAC (Custo de Aquisição de Clientes) for maior que o LTV (Lifetime Value), a empresa não está crescendo — está apenas pagando caro por clientes deficitários. Esse é o tipo de erro que pode afundar um negócio, mesmo quando ele parece estar em expansão.


O que é CAC e por que ele engana sozinho

O CAC mede quanto custa, em média, conquistar um novo cliente. A fórmula é direta:

CAC=Investimento em Marketing+VendasNuˊmero de Novos ClientesCAC = \frac{Investimento\ em\ Marketing + Vendas}{Número\ de\ Novos\ Clientes}CAC=Nuˊmero de Novos ClientesInvestimento em Marketing+Vendas​

Exemplo: se uma PME gasta R$ 50 mil em marketing e vendas em um trimestre e conquista 500 clientes, o CAC é R$ 100.

O problema é que, isolado, esse número engana. Ter um CAC baixo parece ótimo, mas não diz nada sobre a qualidade ou o valor gerado por esses clientes. É como medir apenas a velocidade de um carro sem olhar o combustível: você sabe que ele anda, mas não sabe se vai chegar ao destino.

👉 É por isso que o CAC precisa ser comparado ao LTV.


O que é LTV e por que ele é o contrapeso do CAC

O LTV representa o valor total que um cliente gera ao longo de seu relacionamento com a empresa. A fórmula clássica é:

LTV=Ticket Meˊdio×Freque^ncia de Compras×Tempo de Retenc\ca~oLTV = Ticket\ Médio \times Frequência\ de\ Compras \times Tempo\ de\ RetençãoLTV=Ticket Meˊdio×Freque^ncia de Compras×Tempo de Retenc\c​a~o

Exemplo: se o ticket médio é de R$ 200, o cliente compra 3 vezes ao ano e permanece por 2 anos, o LTV é R$ 1.200.

É o LTV que mostra se o investimento feito para trazer clientes compensa no longo prazo. Se o CAC for maior que o LTV, cada cliente novo significa prejuízo líquido.


Exemplo prático: crescimento ilusório

Considere duas empresas com o mesmo CAC de R$ 150:

  1. Startup A
    • CAC = R$ 150
    • LTV = R$ 120
    • Resultado: cada cliente traz prejuízo de R$ 30. Quanto mais cresce, mais rápido destrói caixa.
  2. Startup B
    • CAC = R$ 150
    • LTV = R$ 900
    • Resultado: cada cliente gera R$ 750 de lucro líquido. Crescer significa criar valor.

👉 A lição é clara: não basta conquistar clientes, é preciso conquistar clientes que paguem mais do que custam.


A relação crítica: o múltiplo LTV/CAC

Investidores e gestores usam um parâmetro-chave: o múltiplo LTV/CAC. Ele responde à pergunta: “Quantos reais de valor cada cliente gera para cada real gasto na aquisição?”

  • LTV/CAC < 1 → prejuízo direto.
  • Entre 1 e 2 → modelo frágil, alto risco.
  • ≥ 3 → saudável e atrativo para investidores.

Exemplo: se o LTV é R$ 900 e o CAC é R$ 300, o múltiplo é 3. Significa que cada cliente gera três vezes mais valor do que custou. É o mínimo esperado em negócios escaláveis.


Por que o LTV é mais importante que a taxa de conversão

Muitos gestores vibram quando a taxa de conversão sobe: “Passamos de 2% para 4%!”. Sem dúvida, é um avanço. Mas aqui vai a provocação: do que adianta converter mais clientes se eles compram apenas uma vez e nunca voltam?

Se o cliente não retorna, a empresa depende constantemente de novas campanhas de aquisição. O CAC dispara, e a empresa entra em um ciclo vicioso de gastar cada vez mais para sustentar o crescimento.

👉 Exemplo prático:

  • Empresa X: taxa de conversão 6%, mas clientes fazem uma única compra de R$ 200 → LTV = R$ 200.
  • Empresa Y: taxa de conversão 2%, mas clientes compram 5 vezes por ano durante 2 anos, ticket médio R$ 150 → LTV = R$ 1.500.

Mesmo com taxa de conversão mais baixa, a Empresa Y é muito mais lucrativa porque constrói retenção e recorrência.

O insight é claro: taxa de conversão é métrica de volume, enquanto LTV é métrica de sustentabilidade.


Erros comuns ao analisar CAC e LTV

Mesmo conhecendo essas métricas, muitos gestores cometem erros que distorcem a análise:

  1. Ignorar custos indiretos no CAC
    Contar apenas mídia paga e esquecer salários de vendedores, CRM e comissões gera um CAC artificialmente baixo.
  2. Superestimar o LTV
    Usar dados de clientes antigos sem considerar churn atual cria um LTV irreal.
  3. Comparar horizontes diferentes
    CAC é gasto imediato, LTV é receita futura. Sem alinhar períodos, a análise perde sentido.
  4. Não segmentar clientes
    Um grupo pode ter LTV alto e outro baixíssimo. Misturar todos mascara onde está o lucro e onde está o prejuízo.

Esses erros levam CEOs a acreditar que estão crescendo com saúde, quando na verdade estão apenas atrasando um colapso financeiro.


Conclusão – não compre clientes deficitários

No fim, CAC e LTV são um teste de sobrevivência. Se o CAC for maior que o LTV, sua empresa está literalmente pagando para perder dinheiro. E quanto mais você cresce, maior o rombo.

Por outro lado, quando o LTV supera o CAC com folga, cada cliente se transforma em um ativo lucrativo. É isso que atrai investidores, fortalece PMEs e garante sustentabilidade a longo prazo.

👉 Entre em contato para uma análise de CAC vs LTV do seu negócio. Descubra se você está crescendo de forma saudável ou apenas queimando caixa em silêncio.